Roberto, Isolda e Milton Carlos

Isolda e Milton Carlos, irmãos inseparáveis, encontraram na música uma forma de expressão desde muito cedo. Desde a infância, eles se dedicavam a brincadeiras musicais, encenando teatros com as bonecas de Isolda, para as quais ela criava trilhas sonoras. À medida que cresceram, Milton começou a aprender violão, sempre sonhando em ser cantor. Com o tempo, esse sonho se concretizou: ele gravou um disco e participou de festivais, transformando a brincadeira de infância em uma carreira profissional. Isolda, por sua vez, abandonou os estudos para se dedicar inteiramente à música ao lado do irmão.

Roberto Carlos sempre foi uma grande inspiração para Isolda. Mesmo sendo muito jovem durante a época da Jovem Guarda, ela admirava suas músicas, como “Splish, Splash” e “O Calhambeque”, que marcaram sua infância. No entanto, nunca imaginou que um dia teria uma música gravada por ele. Essa oportunidade surgiu anos depois, quando Milton, já com um disco gravado, fazia vocais em estúdios para outros cantores. Durante uma gravação com Eduardo Araújo, que mencionou uma visita a Roberto Carlos, eles pediram para Eduardo entregar uma música deles, “Amigos, Amigos”, ao Roberto.

Os meses passaram, e eles até esqueceram a situação, até que um dia ficaram sabendo que Roberto havia gravado a canção no seu LP de 1973. Ouvir pela primeira vez a música no disco foi um momento maravilhoso. Ninguém havia avisado que “Amigos, Amigos” seria gravada, e a confirmação só veio quando os irmãos ligaram para a gravadora, por ocasião do lançamento do disco. Esse momento marcou o início de uma relação profissional frutífera entre Isolda, Milton e o Rei. A música “Amigos, Amigos” foi um marco na vida de Isolda e Milton, sendo a primeira canção gravada por Roberto Carlos.

Em 1974, Isolda e Milton continuaram a compor e produzir canções que refletiam suas experiências pessoais. “Jogo de Damas” foi uma dessas músicas, criada a partir de uma experiência pessoal de Milton, que Isolda ajudou a completar com a letra e a melodia. O primeiro encontro de Isolda e Milton com Roberto Carlos aconteceu por volta de 1976, no escritório dele, quando foram levar a música “Pelo Avesso” e “Um Jeito Estúpido de te Amar”. Naquela época, Roberto havia acabado de lançar “Elas por Elas” no álbum de 1975. A maior felicidade deles veio em 1976, quando descobriram que duas músicas suas estavam no disco de Roberto: “Um Jeito Estúpido de te Amar” e “Pelo Avesso”.

Infelizmente, Milton Carlos partiu tragicamente antes que o disco chegasse às lojas em 30 novembro de 1976, o que trouxe uma grande tristeza a Isolda. Milton Carlos nos deixou em 21 de outubro de 1976, aos 21 anos. Sua perda foi um golpe devastador para Isolda, e essa dor profunda influenciaria uma de suas composições mais marcantes. Uma das músicas mais marcantes de Isolda foi “Outra Vez”, composta em 1977, logo após a morte de Milton. Isolda gravou uma fita com Sérgio Sá para mostrar a Roberto.

A fita continha canções antigas e apenas uma nova composição solo, “Outra Vez”. Para sua surpresa, Roberto gravou a música, que se tornou um grande sucesso, apesar de Isolda não esperar isso devido à sua estrutura pouco comercial. Anos depois, ao ser perguntada para quem teria feito “Outra Vez”, Isolda contou que começou a compor essa música em uma mesa com alguns amigos, conversando sobre amores antigos. Ao chegar em casa, uma amiga estava com ela e Isolda mostrou a música, que já era muito extensa. Ela continuou a acrescentar detalhes à letra, o que contribuiu para a considerá-la pouco comercial.

Com relação à inspiração, Isolda inicialmente dizia que a música tinha sido inspirada por um amor passado. No entanto, com o passar dos anos, Isolda chegou à conclusão de que “Outra Vez” foi escrita com todo o sentimento que ela tinha pelo irmão, que havia partido tão precocemente em um acidente automobilístico. A tragédia foi tão grande que a deixou em choque por algum tempo, e "Outra Vez" nasceu como uma forma de expressar uma dor e uma saudade intensas.

Assim, a música tanto é uma romântica por excelência quanto uma poderosa expressão de uma saudade e de uma dor extremamente fortes. Isolda sempre compôs músicas inspiradas em suas próprias experiências, sem pensar em artistas específicos para gravá-las. “Outra Vez” é um exemplo disso, uma música pessoal que acabou tocando o coração de muitos. Isolda ficava emocionada ao ver a reação do público quando Roberto cantava suas canções. Mesmo com o sucesso, Isolda nunca deixou de se surpreender com a aceitação de suas músicas.

Ela valorizava profundamente cada gravação de Roberto, destacando sua doçura, ternura e carisma como intérprete. “Tente Esquecer” de 1977 e “Um Jeito Estúpido de te Amar” de 1976 eram outras favoritas suas, pelas quais Roberto transmitia perfeitamente os sentimentos expressos nas letras. Em 1982, Isolda compôs “Como é Possível”, uma parceria com Sérgio Sá.

A canção foi inspirada por uma pessoa especial que apareceu na vida de Isolda, trazendo consigo uma sensação de familiaridade e conexão profunda. Em 1986, Isolda continuou a criar músicas que refletiam suas experiências pessoais. “Quando Vi Você Passar” foi uma dessas canções, uma parceria com Mauro Motta e outros compositores, onde Isolda escreveu a letra inspirada em momentos significativos de sua vida. A relação entre Isolda e Roberto Carlos sempre foi marcada por grande respeito e admiração.

Roberto era uma pessoa extremamente gentil e educada, sempre a tratando com um carinho especial. Para ela, Roberto não era apenas um grande cantor, mas também uma pessoa de bondade extraordinária e um coração generoso.

O reconhecimento de Isolda como compositora cresceu significativamente após Roberto começar a gravar suas músicas. Outros artistas também procuravam suas composições, esperando encontrar nelas o mesmo romantismo que Roberto imprimia em suas canções, mas a influência de Roberto na música de Isolda era inegável, refletindo-se em suas composições.

A música sempre foi uma parte essencial de sua vida, e ela se dedicava a criar novas canções com a esperança de que Roberto ou outros artistas as gravassem. Ela continuou ouvindo e colecionando os discos de Roberto, sempre encontrando inspiração em sua obra. A relação entre Isolda e a música era profunda e significativa.

Ela sempre se sentiu privilegiada por poder compartilhar suas composições com o mundo, especialmente através da voz de Roberto Carlos. Sua história, marcada por tragédias pessoais e grandes sucessos, é um testemunho do poder da música como forma de expressão e conexão entre as pessoas. Isolda e Milton deixaram um legado duradouro na música brasileira. Suas composições, carregadas de emoções e experiências pessoais, continuam tocando o coração de muitos.

A parceria com Roberto Carlos foi um capítulo especial em suas vidas, refletindo a magia da música em unir pessoas e criar momentos inesquecíveis. Isolda nos deixou em 17 de dezembro de 2018, aos 67 anos, encerrando um capítulo brilhante de sua vida dedicada à música e às memórias de seu amado irmão Milton Carlos. Em seu show atual, assim como em espetáculos anteriores, Roberto Carlos presta uma homenagem a Isolda antes de cantar "Outra Vez".

Este tributo, embora simples, é profundamente comovente. Ele fala sobre sua percepção da música e aplaude Isolda. Embora tenha ocorrido em outras ocasiões, desta vez a homenagem é feita com uma profundidade inédita. Vale a pena conferir.


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